3 de Outubro de 2008

Página dedicada à divulgação de Thelema e todo movimento cultural, artístico e filosófico que , direta ou indiretamente, manifeste os reflexos do atual Æon.
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Página criada para divulgação de material diverso sobre Ocultismo, Esoterismo, Alquimia, Yoga & Outros.(Clique na imagem para acessar)

Biblioteca Diversa (link direto 4Shared)
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23 de Setembro de 2008

Morte da Esquina do Inferno

93.

Caros senhores, a "Esquina" não mais morrerá, mas passará por reformas para melhor organizarmos as matérias e seus respectivos links, que não mais expirarão, pois preferi armazená-los no 4Shared. Brevemente tudo será normalizado.

Abraço a todos!

Marcos L. Britto.

93, 93/93

16 de Setembro de 2008

A Serra de Sintra e o simbolismo Templário

Poço usado em iniciações na Quinta da Regaleira, uma espécie de torre invertida

Entrada para o poço, onde uma porta de pedra roda impulsionada por um mecanismo oculto

A Serra de Sintra, em Portugal, guarda entre seus castelos, intrincadas passagens subterrâneas, muitas lendas e mistérios, e uma enorme quantidade de simbolismo Maçonico/Templario.Há o Castelo dos Mouros, a Serra da Lua, o Convento dos Capuchinhos, a Quinta da Regaleira, tudo interligado por uma rede de enigmáticos túneis, aos quais Ptolomeu se referia como "Montanha da Lua", e posteriormente, citado por Camões em "Lusíadas".Sintra, devido aos subterrâneos, pode ser comparada a um queijo suíço, e muitas de suas notáveis construções, além de todo o simbolismo exposto, foram projetadas minuciosamente sob fórmulas cabalísticas.

Segue duas matérias muito interessantes, com várias imagens:

http://chico-online.net/misterioso/?cat=6

http://flickr.com/photos/sadi_973/1261110217/

Maçonaria, a Câmara de Reflexões e seu Simbolismo

Na Maçonaria, mais precisamente, no Rito Escocês Antigo e Aceito, a iniciação de um neófito é feita num compartimento da loja, chamado de câmara de reflexões, onde o candidato deverá passar por uma morte simbólica de sua vida profana, para renascer um novo homem, livre de pré-conceitos e paixões mundanas, disposto à lapidação de sua pedra bruta, para que um dia, possa vir a fazer parte do templo de Salomão.
A câmara de reflexões, é geralmente um quarto ou porão, cujas paredes negras revelam fórmulas e dizeres alquímicos, bem como os elementos que compõe a mesa.
Normalmente vemos estampada nas paredes, o V.I.T.R.I.O.L. (Visita interiore terrae, retificandoque invenies ocultum lapiden), que quer dizer: “Visita o interior da terra, e retificando-te, encontrarás a pedra oculta”, que é justamente o que esta iniciação propõe: Introspecção e reflexão, assim como sugere a frase gravada na entrada do oráculo de Delphos: Nosce Te Ipsum (Conhece-te a ti mesmo).

Interior de uma Câmara de Reflexões

Há também, as seguintes inscrições:

Se o que aqui te conduz é a curiosidade, retira-te.
Se queres empregar bem a tua vida, pensa na morte.
Se teme que descubram teus defeitos, não estarás bem entre nós.
Se tens apego pelas paixões e distrações mundanas, retira-te, pois aqui, não as conhecemos.
Se fores dissimulado, aqui serás descoberto.
Se tens medo, não vá adiante.

A câmara, é cercada de símbolos de morte, variando os elementos, de acordo com o rito em questão, na maioria há um cranio ou esqueleto completo, ou até caixões.Tudo para lembrar o candidato, o quanto a matéria é perecível, e o espírito, eterno; toda a matéria se reduzirá ao pó, todos os homens, embora fazem distinções entre si, se reduzirão a um empilhado de ossos.Como esta iniciação é uma prova da terra, na mesa, geralmente encontramos um pão, ou sementes de trigo in natura, que além de nos apontar para os mistérios de Eleusis, simboliza a fertilidade da terra que nos nutre enquanto matéria, bem como uma ânfora d’água, que além de nos saciar a sede, limpa e purifica.Há sobre a mesa, uma ampulheta, que ao marcar pequenos espaços de tempo, nos mostra como a vida é curta e transitória, e que devemos percorrer tal caminho com sabedoria e retidão, uma vez que se visa a concretização da Grande Obra.É costume de algumas lojas também, expor a imagem de um galo em posição de canto, o qual desperta o candidato para a aurora de um novo tempo, de uma nova vida, seguido das palavras Vigilância e Perseverança.
Temos também dois cálices, um contendo uma bebida doce, e o outro, uma bebida amarga, nos fazendo refletir sobre a dualidade presente em tudo, sobre os altos e baixos que a vida nos guarda.
Há também na superfície desta mesa, sal, enxofre e mercúrio, elementos necessários à transmutação alquímica, que o candidato deverá entender dentro do contexto simbólico. O candidato deverá então meditar e redigir seu testamento filosófico, e após este período, mediante ao cumprimento e entendimento destas questões, o então iniciado é levado a “ver” a luz, simbolizada pelo Sol no Oriente.

Marcos L. Britto.

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2 de Julho de 2008

Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer
1788-1860

Filho de Heinrich Floris Schopenhauer e Johanna Schopenhauer, na exata data de 22 de fevereiro de 1788, em Danzig, nasce um dos filósofos que posteriormente seria considerado, dentre todos os outros de sua época, o mais pessimista. E é fato inegável que, ainda hoje, quase 150 anos depois de sua morte, prevalece esse título.
Basicamente, em suma, uma filosofia romântica e irracionalista. Sem receio, podemos afirmar que a filosofia schopenhaueriana foi um grande progresso na disseminação do pensamento filosófico irracionalista no século XIX, se delongando em apogeu também no século XX. Essa afirmação é, certamente, indiscutível, pois sabemos que não há outro filósofo que tenha se destacado mais que Arthur Schopenhauer no irracionalismo até os dias contemporâneos.
Não é minha pretensão, como já ficou claro, mastigar aqui todo desenvolvimento ideológico do schopenhauerismo. Contudo, ressalvo que a leitura de O Mundo Como Vontade e Representação é altamente satisfatória e deve ser efetuada por qualquer indivíduo interessado por uma filosofia séria.
Sua Opus Magna é O Mundo Como Vontade e Representação, de 1819 (Originalmente, Die Welt als Wille und Vorstelling); O pilar de todo o legado filosófico que o schopenhauerismo possui; muito embora, seu livro Parerga e Paralipomena (Parerga und Paralipomena), de 1851, seja o mais popular.
Juntamente com essas duas obras já citadas, outras três são consideradas principais e merecem constar como indicadas: Sobre a Raiz Quádrupla do Princípio da Razão Suficiente (1813), Sobre a Vontade da Natureza (1836) e Os Dois Problemas Fundamentais da Ética (1841).
A Metafísica do Belo.pdf
Biografia.pdf
Do Pensar Por Si.pdf
Ensaio Acerca das Mulheres.pdf
Esboço de uma Historia da Doutrina do Ideal e do Real.pdf
Metafísica do Amor.pdf
O Sistema Cristão.pdf
O Vazio da Existência.pdf
Religião um Diálogo.pdf
O Mundo como Vontade & Representação livro III.doc
O Mundo como Vontade & Representação livro IV.doc

27 de Junho de 2008

Carta Aberta - Antonin Artaud

Abandonai as cavernas do ser. Vinde o espírito se revigora fora do espírito. Já é hora de deixar vossas moradas.
Cedei ao Omni-Pensamento. O Maravilhoso está na raiz do espírito. Nós estamos dentro do espírito, no interior da cabeça. Idéias, lógica, ordem,Verdade (com V maiúscula), Razão: tudo isso oferecemos ao nada da morte.Cuidado com vossas lógicas, senhores, cuidado com vossas lógicas; não imaginais, até onde pode nos levar nosso ódio à lógica.
A vida, em sua fisionomia chamada real, só se pode determinar mediante um afastamento da vida, mediante uma suspensão imposta ao espírito; porém a realidade não está aí. Não venham pois, enfastiar em espírito a nós que apontamos para certa realidade supra-real, a nós que há muito tempo não nos consideramos do presente e somos para nós como nossas sombras reais.
Aquele que nos julga ainda não nasceu para o espírito, para este espírito a que nos referimos e que está, para nós, fora do que vós chamais espírito.
Não chamem demasiado nossa atenção para as cadeias que nos unem à imbecilidade petrificante do espírito. Nós apanhamos uma nova besta.
Os céus respondem a nossa atitude de absurdo insensato. O hábito que tendes todos vós de dar às costas às perguntas não impedirá que os céus se abram no dia estabelecido, e que uma nova linguagem se instale no meio de vossas imbecis transações. Queremos dizer: das transações imbecis de vossos pensamentos.
Existem signos no Pensamento. Nossa atitude de absurdo e de morte é da maior receptividade. Através das fendas de uma realidade em frente não viável, fala um mundo voluntariamente sibilino.

ARTAUD, Antonin. Cartas aos Poderes. Porto Alegre: Editorial VillaMartha, 1979. (Coleção Surrealistas - Vol. 1)

24 de Junho de 2008

Matrix Mundi


Matrix Mundi


Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.



Muitos passam seu tempo, tentando encontrar a raiz do sofrimento humano, no entanto, esquecem-se de procurar esta raiz em seu outro extremo: A felicidade.
O sofrimento se origina na incessante e dolorosa busca por algo que eles denominam felicidade; enquanto que os animais se ocupam de seus instintos mais básicos, sobrevivendo a cada momento plenamente.
Mas afinal, o que é a felicidade? Tal condição realmente existe? Como obtê-la?
O homem sofre porque busca por este estado em seu sentido mais pleno e duradouro, para não dizermos eterno, esquecendo-se que na natureza existem ciclos; tudo muda e se transforma o tempo todo, e isto se faz extremamente necessário à evolução, em todos os sentidos.
Eu só consigo analisar o conceito de felicidade, dentro do contexto material, que não são mais do que curtos períodos de contentamento, gerados pelos benefícios ilusórios da matéria, englobando desde o simples consumismo de um mundo capitalista, até os relacionamentos entre pessoas.
Devemos ter plena certeza de que esses "momentos felizes" vem e vão, e que todas as "interpéries e desgraças" são apenas instrumentos de aprendizagem ou seja lá o nome que lhe damos. Tudo é transitório na natureza, e os pesares não são tão rigorosos, quando sabemos disto.As ordálias são sempre necessárias; devemos ter a capacidade de enxergar nossas fraquezas e enfrentá-las, de rir de nossas confusões e erros, porém muitos preferem tentar a "cura" de seus males, nas palavras de um charlatão, numa igreja imunda onde vendem a idéia de que um Jesus Cristo ou outras entidades cômicas, intervirão em seus problemas que vão desde a falta de dinheiro, até os problemas físicos e de saúde, passando pelo afetivo e emocional (penso que em tais igrejas, Jesus só não opera como psiquiatra).
Capital, para muitos é felicidade, isto enquanto este capital durar, mas mesmo que o dinheiro seja farto a vida inteira, sempre aparecerão novos pontos a serem explorados em busca de tal estado.
Muitos ao ler isto, dirão que são felizes; mas daqui a cinco minutos são flagrados chorando, praguejando e reclamando da vida, como se fossem vítimas.
Até o mais imbecil entre os homens, sente a necessidade de buscar algo, mas acabam por se perder nas tramas da ilusão material, julgando ser esta "felicidade" o que devem procurar.Não estou dizendo que devemos nos privar dos gozos da matéria, pelo contrário, deveis desfrutar de tudo aquilo que quiseres, o quanto quiseres, porém sem deixar-se levar pelas paixões e vícios, estando consciente de sua mais íntima aspiração.
Saindo do contexto material, já que falei em aspiração, saber que nunca irei conhecer Nuit e seus mistérios, não me desespera, pois sei que há conhecimentos que nunca nenhum homem terá; mas me conforta reconhecer a minha verdadeira vontade, sem interferências ou influências externas, visitar o "interior da terra", e ao final de tudo, derramar até a última gota de meu sangue na taça de Babalon.


Amor é a lei, amor sob vontade.


Marcos L. Britto - 09/2005

15 de Junho de 2008

Sergio Bronze - A Festa de São João

(Clique aqui para acessar foto original)



A Festa de São João
por
Sérgio Bronze


Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.


Esquecendo momentaneamente as idéias pagãs das fogueiras que são acesas depois do pôr do sol, na noite de 23 de junho, a festa realizada neste período é no hemisfério norte uma celebração à chegada do sol (solstício de verão), enquanto que no hemisfério sul uma celebração em memória do sol (solstício de inverno). A festa dentro do caráter cristão se refere à João Batista, aquele que veio primeiro do que o Cristo, para reconhecê-lo e batizá-lo. Segundo conta a lenda cristã, logo após o batizado, João Batista foi capturado pelas tropas de Herodes, a mando da jovem e belíssima Salomé, a dançarina dos sete véus, que pediu a cabeça de João Batista em uma bandeja de prata. Devemos, pois, considerar este evento mais em seu sentido alquímico do que propriamente histórico.

Temos nesta comemoração dois elementos básicos e, aparentemente, antagônicos, que são o fogo, das fogueiras, e a água, do batismo. Encontramos na literatura alquímica a referência ao fogo aquoso e a água ígnea, que seriam o dissolvente universal que alguns alquimistas descrevem como o sal onde está adormecido o fogo. Esta idéia primeira nos remete ao "fogo que não queima", simbolizado pelas fogueiras da festividade, que tem apenas como natureza o de iluminar e o de fertilizar aqueles homens e mulheres que saltam por cima de suas chamas de mãos dadas. Salto este que nos lembra a virilidade sexual, algo não tão inocente como poderia parecer um simples salto. O salto representa o casamento, a felicidade e as núpcias. A água por sua vez, aquecida sobre o fogo, se une a este último elemento em uma fusão que só pode ser compreendida pela observação precisa da fórmula I.N.R.I., o que infelizmente não poderemos tratar aqui. Diremos apenas que, do fogo e da água surge Aquele que "ressuscita" depois de um longo período de hibernação.

O costume estabelece que a festa só se deve iniciar, isto é, só se deve começar a beber, a comer, a dançar e a se regozijar após a fogueira estar totalmente acesa. Devemos perceber que aqui estamos diante um fogo secreto, o nascimento de Apolo, o pai da luz, e a sua libertação por seus seguidores, que compreendem que uma parte importante da vida emana dele. Assim como Apolo necessita ser resgatado das trevas, João Batista precisou ser libertado por Salomé de seu papel de mediador entre o céu e a terra, entre as luzes e as trevas. Existiam na Europa pré-cristã e cristã, rituais importantes que simbolizavam essa boa nova e que atualmente passam desapercebidos pela maioria dos participantes da festa.

Em algumas partes da Europa, havia o costume de vestir o "chefe da festa" como um lobo de pele verde. As festividades deviam durar quatorze dias e ao final desse tempo, o fogo era passado para as crianças que o guardavam, enquanto que os adultos se retiravam do local da festividade. Muitos eram os ritos, em alguns deles um homem era sacrificado assim como acontecera com Apolo, para ressuscitar na primeira criança que haveria de nascer. Em todos os casos as cinzas eram consideradas sagradas e eram despejadas sobre os corpos de todos os habitantes da aldeia, quando do encerramento das festas. Haviam ritos importantes como aqueles documentados na ilha de Lesbos e em Cós, em que se saltava sobre as três fogueiras com uma pedra negra sobre a cabeça, recitando afirmações incompreensíveis para os dias atuais. Em todas as festas haviam a noção de fertilidade, de morte e de continuidade: algo como se estivéssemos saltando sobre os abismos do tempo.

As fogueiras, como os faróis, representam a indicação precisa de uma direção, assim também como um alerta sobre um perigo que se oculta. Em todo caso, ter uma fogueira representa proteção contra todos os perigos, assim como o batizado representa o direcionamento de um membro da comunidade dentro dos preceitos da mesma. Como fogo secreto, serve para demonstrar, mesmo que por uma vez por ano, a presença da divindade em todos os homens e mulheres que participam das festas. Temos ali a presença física da divindade, que ilumina, que aquece, que fala de maneira particular à cada participante e que hipnotiza todos os presentes. A noção da escuridão ao redor também deve ser ressaltada, pois a luz provocada pela fogueira possui um limite de alcance, tal como um círculo mágico que demarca os limites de uma operação mágica. A noite envolve aquela luz e seus participantes, como uma mortalha por sobre a cabeça de João Batista. Pois é somente da combinação da escuridão e do fogo que podem haver as festas e a embriaguez sexual.

Ora, temos diante de nós um período de orgia, onde a alegria predomina, quer seja com a saída do sol (hemisfério norte), quer seja com o recolhimento do mesmo sob o manto da noite (hemisfério sul). Em todo caso, temos a virilidade do fogo sob o manto da noite, a união do sol e da lua, da Senhora das Estrelas e dos Senhores da Terra. A entrega da cabeça de João de Batista, a sede da coroa, representa a entrega espontânea da Vontade do homem à Senhora das Estrelas, a Virgem Negra, a terrível Noite, representada por Salomé e por Ana, mãe da Virgem Maria (mar). Ambas simbolizam o Sol Negro, pois irradiam uma Luz que só é materializada pelo sol físico, simbolizada por Apolo e pela fogueira.

Na Alquimia temos uma lâmina onde podemos ver um ser com duas cabeças, representando a união do sol e da lua, deitado sobre um túmulo e sobre a imagem vemos um corvo, representando a dissolução dos aspectos masculinos e femininos para o surgimento de um ser andrógino. O corvo simboliza a Grande Obra que esse novo ser, que surge da decomposição de seu pai e de sua mãe, terá de realizar. O corvo com suas asas negras abertas, nos faz lembrar da noite que se "abate" sobre o sol e a lua. No entanto, nenhum homem deveria ser tolo o suficiente para retirar o sétimo véu, uma vez que há mistérios que nenhum homem jamais conseguirá desvelar. O corvo representa um mistério que cabe ao bom senso compreender que há sempre uma limitação. Portanto, não é a toa que Salomé era uma dançarina dos sete véus e nem é a toa que as festividades se iniciem à noite, após serem acesas as fogueiras.


Amor é a lei, amor sob vontade.


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14 de Maio de 2008

Sergio Bronze - Carta Aberta


Petrópolis, 09 de maio de 2008 e.v.

A quem interessar possa;

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Queria eu saber o que há de errado? Queria saber como a simples presença de um homem é capaz de gerar tantas coisas, sejam elas consideradas boas ou ruins? Na verdade, como bom otimista que sou em relação ao homem, acredito que esteja havendo uma violenta movimentação na direção de um aprimoramento. Vivemos a época da consolidação da Lei.
Quanta confusão em nosso meio. Porque parece que Thelema tem o dom de expor o que cada homem e mulher tem de melhor e de pior, e tudo isso em uma intensidade que poderia ser considerado alarmante? Pessoas, de maneira consciente, se esforçam sinceramente para piorarem aquilo que não precisa ser mais piorado. Mas compreendo que existe a confluência de energias antagônicas e que o choque entre elas gera todas essas "mazelas". No entanto, não as considero ruins de todo.
Nunca considerei Thelema uma brincadeira. Se algo extremamente poderoso dentro de mim não tivesse me levado em direção à A.’.A, acho que nunca teria dado um passo nessa direção. Nunca consegui compreender o que leva uma pessoa a querer ser mais do que ela pode ser. Nunca consegui compreender o prazer mórbido em querer ter aquilo que irá destruí-lo. Quantos de nós podemos dizer sinceramente, em nossa mais profunda intimidade, que fomos escolhidos pelo Altíssimo? Não sei qual o prazer mórbido que alguns alimentam em suas vaidades em querer ser de altíssimo grau na Santíssima Fraternidade, quando isto acarreta responsabilidades que nenhum homem sequer imagina. Quão terrível é o nosso diabo em desejar algo que é constantemente recusado por todos os Iniciados, são exceção, mas aceito por falta de escolha.
Em sã consciência nenhum homem que não seja escolhido pelo Altíssimo deveria aspirar o Caminho designado pela A.’.A. Isto não quer dizer que uns sejam melhores que outros, apenas temos destinos diferentes. Uns nascem com talento para medicina, outros para engenharia, outros para as artes… e assim cada destino se cumpre integralmente e em perfeito equilíbrio com a Verdadeira Vontade. Ser um Aspirante, um Neófito, um Adeptus ou um Mestre não quer dizer que se seja melhor ou pior, lembrem-se que a A.’.A é uma Fraternidade e Fraternidade pressupõe Igualdade. Todos fazem parte desta Fraternidade, que não é física e nem pode ser tocada pela vaidade ou pela ganância, pois Ela é Santa, Incorruptível como cada um de seus Aspirantes e Mestres. Não sei quantos de vocês que ao lerem esta carta se lembrem da nossa última reunião em Fraternidade. Muitos me torceram o nariz naquele dia, mas me foi dado o privilégio de ensinar o pouco que consegui aprender.
Com certeza este é, definitivamente, o Aeon de Hórus e seu objetivo é a Destruição da Fraqueza. Da Fraqueza em todos os níveis do convívio humano e isto me faz compartilhar do mesmo sentimento de Mestre Therion em relação a estes primeiros quinhentos anos do Aeon. O Aeon vibra em Daath e assim cada um poderá fazer a correlação que a experiência de cada um oferece. Todas as confusões que nós "seguidores" de Thelema sempre fizemos é fruto do Sofrimento: da Essência do Sofrimento. Como o diabo (i.e., o Ego) percebe a Destruição da Fraqueza, ele tenta a todo custo impedir aquilo que é impossível de ser detido. Toda vez que penso e sinto isto em meu Coração, e consigo expressar em minha Inteligência, entendo o que Mestre Therion sentia ao ver o mundo ruindo e marchando para as Guerras. Compreendo a nossa outra responsabilidade de Aspirantes à A.’.A, como depende de nós manter em equilíbrio daquilo que não sabe como se manter em equilíbrio. Por isso, devemos ensinar. Todos nós Sacerdotes do Aeon de Aquário/Leão, detentores da Aproximação do Altíssimo, temos entre nossas obrigações ainda mais esta.
Que tempos importantes que vivemos. É para nós um privilégio poder viver em um tempo em que sabemos que a nossa presença é de alguma importância. Se a Santíssima Fraternidade nos escolheu por algum mérito anterior, a única coisa que podemos fazer é aceitar esta doce tarefa. Viemos para tornar viva e clara as palavras do Profeta da Amorável Estrela e nem sempre isto é uma tarefa fácil, apesar de ser extremamente prazerosa.
Confesso que me divirto vendo todas essas confusões, mentiras e artimanhas; isto deve ser devido ao fato de vibrar dentro da Lei. Como filha, sou a mãe; na Aparência do filho, sou o Destruidor. Mas para que eu possa Destruir, preciso colocar algo em seu lugar, mas confesso que tudo isso é extremamente difícil e perigoso. O problema das invocações planetárias é justamente esta: é que podemos em um simples gesto, mal feito, modificar o Destino.
Thelema é uma Religião. Assim como o Masdeísmo, ela é uma religião interna, quase que oculta aos seus seguidores. Quando ela se externaliza e se coloca ao nível de uma seita, gera as confusões que temos presenciado nestes cem anos de seu "surgimento". Fomos e somos avisados constantemente pelos Escritos Sagrados sobre tal coisa, mas ainda teimamos em comentar aleatoriamente, em "pregar" e em tentar converter Almas que de alguma maneira a sentem, mas que não conseguem traduzir em um comportamento ou em um código aceitável de conduta de vida. Curiosamente, o Masdeísmo ruma à extinção?
Sei que esta carta pode não estar sendo muito direta e nem muito fácil de entendimento de seu objetivo, mas se Thelema se "arrasta" pelo mundo é porque nós estamos descumprindo preceitos básicos. A iniciação nunca mudou o caráter de uma pessoa, é uma grande ignorância acreditar no contrário. Ser Divino é saber dominar a Besta, por isso sempre digo que somos o receptáculo para Babalon, que momentaneamente domina a Besta, mas que quando esta Besta foge de seu cativeiro, ela deve trazer o mínimo daquela experiência divina para se ser um pouco menos bestial.
O que falta em todos nós é a Humildade. Humildade em compreender que somos deuses imperfeitos, tal como as divindades gregas e egípcias sempre nos lembram. Humildade em compreender que como Sekhet, que destruia tudo e todos, somos vencidos pela força e vigor do Babuíno, esta é uma das lendas mais belas e significantes do antigo Egito. Humildade em reconhecer as nossas próprias limitações, quer sejam elas espirituais, emocionais, mentais e físicas.
Ora, sabemos que a Iniciação leva todos à beira da loucura, da esquizofrenia e gera, de acordo com a Verdadeira Vontade, patologias irreversíveis. O Sr. Marcelo Motta dizia que quatro coisas podem acontecer a um iniciado: ou a Iluminação; ou a loucura espiritual; ou a loucura física; ou a morte. Isto é um fato. Como é um fato que a Santíssima Fraternidade é tão real quanto o beijo que dou na face de meu filho, agora. Então, mais uma vez pergunto: quem pode realmente dizer que foi escolhido pelo Altíssimo? Mas quem foi compreenderá o objetivo desta carta, com certeza mal escrita ou mal formulada, mas um verdadeiro pedido fraterno.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Carinhosamente, Frater Fênix

6 de Março de 2008

A inexistência de um estado laico no Brasil.

A inexistência de um estado laico no Brasil.
Por Marcos L. Britto.



Muita gente pensa ser a república federativa do Brasil, um estado laico.Na verdade não precisamos analisar muito, para termos a certeza de que essa laicidade não existe, podemos citar entre inúmeras coisas, os muitos feriados nacionais embasados na religião de Roma.
Mas o que mais me incomoda é a hipocrisia e a cara-de-pau das autoridades e chefes de estado, que enganam e/ou se deixam enganar, enquanto que sugestões, muitas vezes de caráter subliminar, eclodem à sua volta.
Eu não defendo um país laico, mas sim, um estado laico. O Brasil, é um país majoritariamente católico, e eu não estou preocupado com isso; que cada um acredite no que quiser, que sejam escravos de seus deuses; o que não consigo admitir, é que se misture religião ao estado, ou que este seja influenciável pelos poderes do clero.Na verdade, eu sou anarquista, e defendo o banimento e total ausência do estado, mas tenho de viver sob a atual política, o que não me impede de elaborar críticas.
Me digam por favor, o nome de um país capitalista, cujo estado é laico? Eu não sou nem um pouco á favor de políticas comunistas, pelo contrário; porém, os países em que vigora este sistema, tem em sua maioria, estados verdadeiramente laicos.
Por quê nos tribunais dos EUA, país extremamente capitalista, o juramento é feito com a mão sobre a bíblia?
Apesar do Vaticano estar incrustado na Itália, este país não tem como religião oficial, o catolicismo, mas faz algum tempo, dois juízes italianos foram suspensos e ameaçados de exercer o judiciário, por terem exigido que fossem retirados os crucifixos e símbolos religiosos das salas em que presidiam suas sessões.Ao meu ver, esses juízes defendiam a laicidade do estado, sem se submeterem à hipocrisia de um país capitalista.

Nas atuais disputas judiciais envolvendo o direito de usar células-tronco no Brasil, podia se ver ao fundo da parede do plenário do STF, um crucifixo acima do brasão da república, coisa “normal” até então, mas se analisarmos a fundo, sobretudo no que se refere ao tema que seria decidido, visto que é uma disputa que envolve questões polêmicas, onde teorias baseadas na teologia tenham voz ativa, principalmente ás vésperas de um dos maiores feriados católicos: a páscoa. Seria coincidência? Para alguns pode até ser...
Em 1977, o congresso nacional analisava a emenda constitucional do divórcio, quando a igreja católica ameaçou excomungar todos os parlamentares que votassem a favor da emenda.Fica a interrogação: Estará realmente o estado, livre dos dogmas da igreja, apesar de ser explícito o contrário?
Projetos de leis que dizem respeito ao aborto e eutanásia, por exemplo, não poderiam ficar pendentes a questões religiosas de maneira generalizada, pois as religiões não detém as convicções dos cidadãos de um país, de forma exclusiva e unânime.Tais decisões caberiam à vítima ou aos seus familiares, de acordo com suas razões morais e éticas; estaria salvo a liberdade de escolha.
Enfim, com interesses comuns, o estado acaba por ser conivente com a igreja, e esta por sua vez, é conivente com os mais negros capítulos da história.

Continua...